Vivemos um período de transformações profundas no capitalismo, marcado pelo aumento das desigualdades, pela precarização do trabalho e pela concentração tecnológica. Ao mesmo tempo, crises globais e o esgotamento do neoliberalismo ampliam a insegurança social, abrindo espaço para o avanço de forças conservadoras que exploram a frustração da juventude com respostas regressivas e autoritárias.
No Brasil, essa crise assume características próprias e ainda mais desafiadoras. Apesar de avanços recentes em indicadores econômicos, a juventude brasileira segue atravessada por uma profunda sensação de insegurança e ausência de perspectivas. Esse cenário torna ainda mais decisivas as eleições de 2026, como momento estratégico para disputar os rumos do país e reconstruir um projeto de futuro para a juventude.
É nesse cenário que a juventude do Piauí se levanta, consciente de seu papel histórico e da urgência de transformar a realidade.
Nosso estado expressa, de forma intensa, as contradições estruturais do Brasil. A juventude piauiense não é problema, é solução. Não é margem, é centro. Somos sujeitos políticos, força criativa e produtiva, protagonista de um projeto de desenvolvimento justo, democrático e popular para o nosso estado. Defendemos que o futuro do Piauí passa, necessariamente, por colocar a juventude como prioridade estratégica. Isso significa transformar o Plano Estadual de Juventude em realidade concreta: com orçamento, metas, participação social e presença em todos os territórios. Não aceitamos políticas simbólicas ou concentradas na capital — queremos ações que cheguem às periferias, ao interior, às comunidades rurais, quilombolas, indígenas e a todos os espaços onde a juventude vive e resiste.
Lutamos por uma educação pública de qualidade, com escola em tempo integral de verdade: estruturada, inclusiva, com alimentação, transporte, cultura, esporte, acesso à tecnologia, apoio psicossocial e valorização dos profissionais da educação. Escola não é depósito de jovens, é espaço de formação integral, cidadania e emancipação.
Defendemos o direito da juventude ao trabalho digno, à renda e à permanência em seus territórios. Queremos oportunidades reais em ciência, tecnologia, energias renováveis, economia criativa e agroecologia. Rejeitamos a precarização e o falso empreendedorismo sem direitos. Lutamos por políticas públicas que garantam formação, proteção social, crédito, cooperativismo e desenvolvimento sustentável.
Combatemos a exploração da juventude pelas apostas digitais, que transformam vulnerabilidade em lucro e ilusão em dívida. A esperança da juventude não pode ser mercadoria. Defendemos políticas de educação financeira crítica, regulação e proteção à saúde mental.
Reafirmamos nosso compromisso com a vida e com a justiça. Somos contra a redução da maioridade penal, medida que não resolve a violência e apenas aprofunda a criminalização da juventude pobre, negra e periférica. Defendemos mais educação, cultura, trabalho, inclusão e políticas de prevenção, não mais punição.
Acreditamos em um Piauí que respeita a diversidade e combate todas as formas de opressão. Lutamos contra o racismo, o machismo, a LGBTfobia, o capacitismo e toda violência. Queremos políticas que garantam igualdade, permanência estudantil, acesso e dignidade para todos e todas.
Defendemos a saúde mental como prioridade, com redes de cuidado nos territórios, presença de equipes multiprofissionais, acesso a serviços e políticas de prevenção. Cultura, esporte e lazer não são acessórios, são direitos fundamentais e políticas de vida.
Propomos a criação de uma Rede Estadual de Centros da Juventude no interior, conectando os territórios e garantindo espaços de formação, convivência, cultura, tecnologia, esporte e organização juvenil.
A democratização do acesso à tecnologia e à internet também deve ser tratada como política estruturante. Em um mundo cada vez mais digitalizado, garantir conectividade de qualidade é garantir acesso à educação, ao trabalho, à cultura e à participação política. A juventude precisa ser protagonista não apenas no consumo, mas na produção de conhecimento, cultura e inovação.
Além disso, reafirmamos a importância do fortalecimento das políticas de cultura, esporte e lazer como dimensões fundamentais para o desenvolvimento integral da juventude. Esses espaços são essenciais para a construção de identidade, pertencimento e perspectiva de futuro.
Nosso manifesto também reafirma o compromisso com a democracia, com os direitos humanos e com a participação ativa da juventude na formulação, execução e controle das políticas públicas. Não há transformação real sem a presença ativa dos jovens nos espaços de decisão.
Acreditamos que o Piauí precisa romper com seu ciclo histórico de desigualdades por meio de um projeto ousado, inclusivo e comprometido com o futuro. E esse futuro passa necessariamente pelo investimento estratégico na juventude.
A juventude quer viver com dignidade: estudar, trabalhar, circular, produzir cultura, acessar direitos e decidir sobre seu próprio futuro. Por isso, afirmamos: A juventude deve ser prioridade do desenvolvimento do Piauí.
Não aceitaremos retrocessos. Não abriremos mão dos nossos direitos. Seguiremos organizados, nas ruas e nos territórios, construindo um projeto de estado mais justo, democrático, popular e socialista.
Juventude é força de futuro. Pela democracia, contra os retrocessos. Por um Piauí desenvolvido, justo e popular.
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Teresina-Pi, 09 de Maio de 2026.